23 dezembro 2009

Ás vezes eu sei. Não importa como, não importa o que. Ás vezes eu sei exatamente inclusive em ricos detalhes o que vem á seguir, a próxima cena do clipe, a próxima página do livro. O que mais me surpreende não são os acontecimentos, nem tão pouco o clichê que as pessoas ao meu redor representam ao viver. Mais sim minha habilidade em prever e imaginar minuciosamente o que vou ver e vivenciar a seguir, habilidade que na verdade não sou eu a dona. A origem dessa habilidade está nas pessoas, sempre tão previsíveis e obviamente, obvias. Se amor e ódio são mesmo fáceis de se difundirem como dizem, eu odeio aquilo que consegue me pegar de surpresa e me surpreender.

16 dezembro 2009

A sensação mais estranha que insisti em me invadir nesse momento é a inveja que sinto de mim mesma. Ou melhor, a inveja que sinto do meu próprio passado, da minha vida e rotina antiga. A inveja que sinto da pureza e ingenuidade, que hoje já não conservo dentro de mim. Inveja da felicidade, das emoções que pude sentir e viver intensamente (intensa, é sempre a palavra que me define). Inveja de alguns momentos que me senti a própria protagonista de um filme ou livro qualquer. Momentos de descobertas inacreditáveis e revelações do tipo “se eu contar ninguém acredita”. Tive escolhas árduas, me surpreendi comigo mesma e minhas atitudes diversas vezes, sei que houve e ainda há muito suspense em minha própria história. Sinto inveja até mesmo da época em que eu acreditava no que agora, já descobri serem mentiras completas. As declarações sem um pingo de sentimento real que recebi, os “eu te amo para sempre” ou “estarei aqui para tudo” que ouvi, acreditei e descobri tarde serem falsos, sem valor e sem honra. Palavras que já me senti grata por ouvir, que na hora me confortaram e me fizeram sentir amor, sentimento que eu pensava ser correspondido e que hoje, me sinto tola por isso. Palavras e juras ditas, momentos mágicos idem a cenas de novela que vivi, que poderiam ter sido verdadeiros, mais não foram e agora também, jamais serão. Sinto inveja de quando eu ainda não possuía a coleção de decepções e mágoas que agora carrego e são pesadas para mim, me machucam continuamente. Sinto inveja da esperança que já tive, dos sonhos que já foram meus e foram roubados, destruídos. Sinto inveja da criança que fui e me abandonou na estrada me deixando sozinha para seguir, sem sequer ter tempo para despedidas... Sinto inveja de quando tive que se forte, e com coragem fui, continuo sendo.

09 dezembro 2009

São incontáveis as vezes que eu já me peguei pensando e imaginando o rumo que as coisas iam tomar. E olhando para trás só hoje eu consigo enxergar de verdade que em todas as minhas previsões e suposições sobre o futuro eu estava errada. Não, sério não que eu tenha imaginado ou fantasiado nada absurdo. Muito pelo contrário, meus pensamentos sobre o que ia ocorrer daqui há um ou dois meses estavam sempre extremamente limitados. Limitados pensando no dia a dia, na correria, nas mesmas pessoas. E obviamente ao tentar prever o futuro na maioria das vezes eu me embaralhei e não pensei no obvio: que a gente ta sempre mudando de órbita, sempre descobrindo novas pessoas, novos contatos, fazendo novas coisas e mudando de idéia o tempo todo. A mudança de idéia e praticamente conseqüência quase sempre dos novos conhecimentos, dos acontecidos. É e isso. Tudo muda num piscar de olhos, o pra sempre de hoje de repente acaba e vira um nunca mais. Que só a vida sabe se vai ser nunca mais mesmo, reencontros e coisas do tipo fazem sempre parte do pacote. E o que isso tudo trás? Problemas, decepções acumuladas da onde você menos espera sustos e etc. Mais eu vejo isso muito mais pelo lado positivo, novas paixões, redescobertas, alegrias, percas que trazem muitos ganhos e principalmente: o friozinho na barriga de nunca saber o que te espera na próxima esquina da vida.

07 dezembro 2009

Por vezes não vivo, paro e assisto. Não como alguém que senta ao fim do dia para assistir a sua novela ou seriado mais sim, como o diretor de um filme. Assim pauso, vejo e revejo, dou o famoso “corta” volto um pouco a fita, reescrevo as cenas, até posso deletar e alterar completamente algumas. Pena que viver como diretora do meu próprio filme não dê sempre tão certo assim. É triste lembrar que viver nossa vida não é exatamente como dirigir seu próprio filme, embora ás vezes se pareça exatamente com isso. Viver é mais do que fazer aquilo que você deseja, é mais do que moldar tudo exatamente do jeito que você gostaria, é muito mais do que ter histórias incríveis para contar, embora isso seja sim muito importante. Viver é se arrepender, quebrar a cara, desejar mais do que tudo esquecer algo que te atormenta, adquirir traumas e medos, descobrir que existe muita ilusão, achar que vai dar certo e ver que não deu, sentir vergonha, se arrepender de suas ações, ter vontade de destruir o próprio passado, ter certeza que a única certeza é a incerteza sempre e perceber o quanto as pessoas mudam e também nos enganam.Viver é ter que desacreditar nos seus próprios sonhos, embora você tenha vontade de viver neles e talvez continue vivendo unicamente por eles.

04 dezembro 2009

Gostaria muito de conseguir responder a uma única pergunta simples: afinal, quem sou eu ou quem eu sou? Gostaria que me perguntassem e eu soubesse responder, com uma única frase, uma única palavra que fosse. Mais de certo, seria completamente impossível. É impossível quando na verdade sou mais que eu mesma, sou mais do que consigo, mais do que posso ser. Impossível quando sinto que dentro de mim existe alguém realmente forte escondido. Alguém que não sou eu, mais que não pode ser outra pessoa. Alguém que assiste e ao mesmo tempo sente as emoções, conflitos e traumas que vivo como se estivesse representando um papel todo o tempo. Como se soubesse que posso mais, que agüento e mereço mais, como se achasse tudo aquilo pelo que sofro, bobo, superável e pequeno. Alguém que já viveu muito mais do que eu. Alguém que desconhece medo ou julgamento. Alguém que não se importa com o que os demais ao seu redor estarão pensando de seus atos. Alguém que tenta penetrar nos pensamentos alheios para descobrir o que se esconde por trás de um rosto, de um olhar. Alguém que sonha também, mais acredita em alcançar, sobretudo. Alguém que está além de conhecimentos impostos como essenciais. Alguém que escreveu esse texto inteiro.

01 dezembro 2009

Não existe nada que me irrite mais do que a existência dos metódicos, racionais. Pessoas que pensam mais do que sentem. Que deixam de viver, executar para arquitetar o melhor a ser feito. Que conseguem pensar sempre antes de fazer. Que conseguem articular, controlar, pensar minuciosamente cada ato feito, cada palavra dita, sem nunca se descontrolar ou até mesmo sofrer um pequeno surto. Enfim odeio aqueles que nunca falham, nunca fazem nada errado ou ruim, nunca se deixam vencer pela sua própria vontade, fazem sempre aquilo que tem que de ser feito. Odeio aqueles que conseguem perdoar sempre sem dificuldade, que conseguem pedir desculpa sem vergonha. Que possuem a capacidade de se libertar do ódio, da raiva, da mágoa e até conseguem não sentir nenhum sentimento devastador do tipo. Odeio aqueles que nunca se deixam esquecer um pouco do peso da responsabilidade pra viver com um pouco de levianidade e diversão. Odeio aqueles que julgam á tudo e todos porque nunca nem mesmo experimentaram a sensação de se por no lugar do outro, e nem de possuir a capacidade de aceitar as pessoas com elas são, nem de errar um pouco. Odeio aqueles que sem serem chamados decidem opinar e palpitar sobre as atitudes ou caminhos que as pessoas decidem tomar por si mesmas. Dedicado para: ISA, que ama ler textos e que eu amo (:
Odeio ser completamente emocional, possuindo nula característica metódica. Odeio sentir muito mais do que pensar. Odeio nunca conseguir arquitetar o que é melhor a ser feito. Odeio fazer pra depois pensar. Odeio não ter a capacidade de articular, controlar, pensar cada ato que executo, sempre perdendo o controle de minhas próprias atitudes e palavras. Odeio falhar um milhão de vezes, fazer coisas ruins, deixar sempre minha vontade vencer o certo a ser feito. Odeio ter uma imensa dificuldade para perdoar, ter vergonha de pedir desculpas por meus erros. Odeio sentir intensamente ódio, mágoa, raiva e todos esses sentimentos devastadores. Odeio esquecer completamente do peso da responsabilidade só para me divertir de forma leviana. Odeio não conseguir julgar os errados, porque às vezes também estou errada. Odeio conseguir aceitar os outros como eles são. Odeio não conseguir ter uma opinião formada ou palpitar sobre atitudes ou caminhos que os outros escolhem, por simplesmente achar que cada um deve fazer o melhor pra si mesmo. Odeio, mais prefiro assim.